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Rodrigo Machado
14 de agosto de 2020
06. Dicas

Não tenha vergonha de começar

Ninguém nega que cuidar da saúde é algo positivo, assim como ninguém nega que estudar é importante, mas parece que a nossa prática não condiz muito bem com o nosso discurso...

Quando eu era criança, ir para escola significava encarar um dilema. De um lado eu tinha o incentivo de meus pais para que eu aproveitasse a oportunidade de estudar, oportunidade essa que eles não tiveram. Só que do outro lado eu tinha as “amizades” que tentavam me convencer do contrário, me diziam que estudar era “coisa de otário”, que não isso ia me levar a lugar nenhum. Vou confessar que não foi fácil “desviar” das más influências, que sempre estiveram lá, em todas as salas de aula, em todas as escolas, e para ser sincero, não sei bem de onde tirei forças para seguir estudando enquanto muitos dos que estavam à minha volta diziam que eu estava errado.

Pois é, no Brasil temos uma “cultura” que dá pouco valor para os estudos, e menos valor ainda para a saúde. Tente, mas só tente, dizer a um(a) jovem para se cuidar, fazer alguma atividade física, não abusar do álcool (ou drogas piores), dormir cedo, se alimentar corretamente… Difícil né? Infelizmente o comportamento padrão entre os mais jovens passa por ignorar hábitos saudáveis, pensar apenas no agora, esquecer que o tempo passa, que a idade chega, e que com ela chegam os “boletos”. Parece que “cuidar da saúde” é algo que só nos alcança depois de uma certa idade, ou quando a vida “arruma um jeito” de nos mostrar o tamanho da nossa fragilidade.

Esse é um roteiro clássico, aconteceu comigo também: depois dos 30 estava com bastante sobrepeso, sem nenhum vigor físico, e já tinha indícios de que minha saúde estava se deteriorando. E então chega o dia que você se olha no espelho e percebe o óbvio: que a juventude já se foi, que o último ano faz muito mais estrago do que os anteriores, e no ritmo que você está indo, as décadas próximas serão bem complicadas. É duro, eu sei. Dói. Machuca. Não, não é legal perceber que você está preso a um corpo que tem prazo de validade, mas eu tenho um conselho (agora você vai ter que confiar em mim): não fique triste, pelo contrário, levante as mãos ao céu e agradeça, porque a vida acaba de te dar uma nova chance.

Sim, o tempo passa para todo mundo, mas agora que você realmente compreendeu o que isso significa, você pode escolher entre deixar a maré continuar te arrastando para o fundo, ou nadar até praia. Salve-se! Tenha coragem de fazer algo por você mesmo. Não, isso não é por simples estética, é por amor próprio, por amor à própria vida. Pense na pessoa que você quer ser daqui 10, 20, 30 anos. Como você quer chegar até lá? Sim, você tem essa escolha nas mãos, você sempre teve, só que foi somente agora que você percebeu. Me diga agora, quanto tempo você ainda quer perder?

Ok. Você pode me dizer “ah mas é difícil”, “ah mas eu não tenho tempo”, “ah mas eu já estou velho para isso”, “o meu caso não tem mais jeito”. Com todo respeito, não é a mim que você tem que convencer, é a si próprio. Arrumar uma desculpa sempre é mais fácil do que tomar uma atitude. Meus colegas na escola tinham várias desculpas para não prestar atenção na aula, e eu sempre soube que adotar o discurso da maioria me exigiria menos esforço do que fazer a tarefa. Mas algo dentro de mim, algo que eu realmente não sei explicar, me dizia o que era o certo a se fazer, e se tem algo de que me orgulho na vida foi de nunca ter vergonha de fazer o que é certo. Faça! Mude! Não tenha vergonha de começar!

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